Era metade dos anos 90 quando meu pai alugou um filme em VHS para ele assistir e eu o acompanhei. Gostei, mas eu era pequeno e não havia entendido direito. Um tempo depois, na casa da minha avó, em uma tarde, a televisão estava ligada na globo, e ali estava aquele filme que meu pai havia alugado. A lembrança daqueles homens vestindo armaduras brancas, junto de um macaco gigante, resgatando uma moça vestida toda de branco marcou o início de uma paixão que carrego no fundo do meu coração até hoje, e levarei até meu último suspiro.
É interessante ser um fã desde pequeno de Guerra nas Estrelas (na minha época era assim que se chamava), mesmo eu tendo nascido anos depois do lançamento do último filme da saga, e viver em uma época em que é moda gostar deste universo criado por George Lucas. Interessante por motivos ruins e bons. Ruins pois ainda tenho preconceito com “modas”, e desde a popularização do termo e estilo “Nerd”, Star Wars é um dos principais assuntos tratados pela geração do século XXI.
Fico um tanto irritado quando pessoas que se dizem “Nerds” falam que viram o novo Star Wars (Rogue One), que gostaram muito do filme, mas que não entenderam por que Darth Vader aparece se ele já morreu? Ou o que a Ray está fazendo ali no meio dos rebeldes se ela está treinando com “aquele velho do final do Despertar da Força”? Sim! Ouvi e li esses absurdos. Seguidamente passei por imagens na internet, gráficos e ilustrações que ensinam o novo “fã” em que período de tempo se passa o novo filme. Mas depois da irritação, vem a tranquilidade, pois se não fosse esse fã, que compra ingressos no cinema, que compra “bonequinhos”, brinquedos e tantos outros produtos relacionados à saga, não haveria mais saga! Ela terminaria no episódio III, a treze anos atrás, e jamais teríamos esse bombardeio de conteúdo, objetos e informação sobre esse universo que tanto amamos. Aos novos fãs de Star Wars: Obrigado! Mas procurem se informar antes de falarem ou escreverem besteiras.
[Abaixo contém Spoiler]
Sobre Rogue One. Finalmente assisti ao filme, mas infelizmente em um momento trágico. Um dia depois da morte de Carrie Fisher, nossa eterna Princesa Leia Organa, que descansa com a eterna força que lhes enviamos.
Assistindo o filme, me deliciei com as referências colocadas lá para os verdadeiros fãs de Star Wars. Certamente me fugiram alguns pois não consegui acompanhar as séries animadas The Clone Wars e Rebels, mas fico feliz por elas estarem lá e costurarem as diversas histórias que são narradas neste vasto universo. Por pouco mais de duas horas, voltei a ser aquele menino de seis, sete anos, que assistiu pela primeira vez na vida Uma Nova Esperança e, como uma criança, chorou emocionado no desfecho do novo filme que se conecta direto ao longa de 1977. Não um choro de emoção por estar assistindo um filme da sua saga preferida, mas sim pelo difícil momento que muitos fãs passaram nos últimos dois dias.
A sequência final, onde os soldados rebeldes carregam as informações da Estrela da Morte, fugindo do maior e mais querido vilão de toda a história do cinema, foi me acelerando o coração enquanto meu cérebro se dividia entre apreciar a linda cena que se desenrolava diante de meus olhos e imaginar o que viria à seguir. E veio. Ela, nossa eterna Princesa, aparece, carregando a força e a esperança que será (e foi) desenvolvida na trilogia clássica.
Foi difícil conter as lágrimas, sabendo que pouco mais de 24 horas atrás, a atriz que nos trouxe essa personagem, nos deixou. E será difícil assistir seu último adeus no próximo filme a estrear em dezembro de 2017.
Terei um ano para me preparar para o choque de vê-la, sabendo que ela não está mais entre nós. E mesmo que eu esteja certo que conseguirei conter minhas lágrimas, levarei uma caixa de lenços caso eu falhe miseravelmente.
À nossa eterna Princesa Leia, muito obrigado e que a Força esteja com você!