quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Horror, Terror e Suspense

O cinema de horror, tão fortemente disseminado pelos cinemas com forte apelo comercial, tem sofrido uma metamorfose constante a cada ano que passa e a cada filme que é lançado. Antigamente, os filmes de horror, em sua grande maioria, apresentavam histórias com assassinos, monstros e outras ameaças que iam de encontro aos personagens principais, mas em praticamente todas as obras os mocinhos sobreviviam, escapando do vilão depois de passar por inúmeros obstáculos e perder as pessoas queridas e amadas em mortes violentas.Desde esta época, pouquíssimos filmes apresentavam o mocinho/mocinha perdendo o “duelo” para o vilão, e com a evolução da receptividade do público, mais e mais filmes passaram a dar um fim em todos os personagens principais, deixando o vilão vencer no final.
O fato de os mocinhos perderem e morrerem ao final dos filmes, mostra que o cinema de horror vem mutando e apresentando novas abordagens para assustar o público. Mas muitas pessoas ainda tem dúvidas se o filme que elas irão assistir é Horror, Terror ou Suspense, que mesmo parecendo iguais, possuem diferenças entre si. Podemos dizer que tal filme é de Horror, Terror ou Suspense, mas na verdade ele pode ser dois ou até os três juntos, mesmo cada um ter uma característica diferente.

Horror
Tanto Horror como o suspense, surgiram da literatura, mas o primeiro romance classificado como horror é O Castelo de Otranto, de Horace Walpole, escrito em 1764, que narra os acontecimentos passados em um castelo, envolvendo sons fantasmagóricos, armaduras medievais e quadros que observam as pessoas. A partir daí, inúmeros outros contos e romances foram escritos. Alguns dos principais autores de literatura de horror são Edgar Alan Poe, H. P. Lovecraft, Arthur Machen e outros da mesma época. Com esta influência literária, o cinema acabou aproveitando-se destas narrativas tão envolventes e assustadoras para adaptá-las ao cinema.
Mas afinal, o que é o Horror?
Horror é uma sensação de repulsa, nojo ou espanto, causado por algo medonho, hediondo. Quando se vê uma cena forte de estupro, tortura, esquartejamento, que envolvam tanto humanos quanto monstros. É aquela vontade que temos de virar o rosto ou tapar os olhos para não ver a imagem nojenta.

Terror
Podemos entender que Terror está dentro do termo geral Horror, mas é um pouco diferente. O Terror é o susto que levamos com situações propícias, geralmente acontecendo no clímax de um momento de suspense. Apresentam cenas e planos rápidos que nos causam aquele susto repentino, como um grito, a cara de um monstro ou um trem passando e apitando logo depois de uma cena silenciosa com um tom de suspense, como o personagem abrindo a porta do armário para ver o que há ali dentro.

Suspense
Suspense é o clima em que os filmes de horror e suspense são inseridos. Um filme de horror ou terror sempre tem suspense, mas não necessariamente um filme de suspense possui terror ou horror.

No suspense, somos apresentados a uma situação em que nos colocamos no lugar do personagem e sentimos seu desconforto. Alguns podem pensar “Mas se tem suspense, certamente tem horror ou terror, porque o vilão está à espreita”. O fato de o vilão estar à espreita não quer dizer que haverá o horror ou terror. Alfred Hitchcock é reconhecido como o mestre do suspense e nunca fez um filme de horror (Psicose e Pássaros podem ser o mais próximo de Horror). Em Festim Diabólico, de 1948, Hitchcock nos apresenta a dois jovens que matam um amigo, colocam seu corpo dentro de um baú na sala de estar e convidam seu professor, a namorada e a família do jovem assassinado para jantar em uma mesa improvisada, montada em cima do baú. Temos aí a apreensão, o suspense de sabermos que o corpo do rapaz está ali dentro e de os convidados da festa não saberem o que está acontecendo e inúmeras vezes quase descobrem o corpo, deixando-nos loucos e nos fazendo gritar para os convidados “ELE ESTÁ AÍ DENTRO! É SÓ ABRIR O BAÚ!”.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O Vizinho da Casa da Frente

Eu me mudei para cá a dez anos e desde aquela época a casa em frente está abandonada. A pintura descascada, telhas caídas, gramado alto, vidros quebrados e paredes rachadas com infiltrações mostram que ela realmente está abandonada há muito tempo. Meus vizinhos diziam que ela é assombrada, contando histórias sobre a jovem de vinte anos que foi assassinada pelo padrasto e teve o corpo enterrado no quintal. Perdi a conta de quantas versões desse caso eu ouvi, mas jamais achei algo sobre o assunto. Não que eu tenha me esforçado para procurar. Se houve um assassinato, isso já foi a muito tempo e não é problema meu. O que acho estranho é o novo vizinho.

Conversei com ele algumas poucas vezes e me pareceu um rapaz simpático. O jovem, que deve ter seus vinte e poucos anos - não perguntei sua idade para não parecer indelicado, mas é bem jovem para estar morando sozinho - contou-me que comprou a casa porque é próximo à faculdade que estuda - a estadual, cinco quilômetros daqui - e que estava com o preço muito abaixo do mercado, e ele usou suas economias para adquiri-la. No dia que ele me contou isso, fiz uma piada dizendo que o preço da casa era baixo provavelmente por ela ser assombrada. Eu ri quando falei, mas notei que ele ficou sério por uns instantes e quando notei que a piada parecia não ter sido tão engraçada, parei de rir. Ele, no entanto, abriu um leve sorriso, disse que demorou para entender a piada e que estava atrasado para a aula, se despedindo de mim e saindo correndo para pegar o ônibus que estava dobrando a esquina.

Ao menos uma ou duas vezes por semana eu vejo o rapaz sair de casa cedo da manhã vestindo um terno e gravata bem simples e uma pasta debaixo do braço. Depois descobri que ele estava à procura de emprego para custear as reformas e contas da casa, além de construir uma piscina no quintal, que de acordo com ele é seu sonho desde criança.

O rapaz parece ser bastante responsável pois nos dias de folga, quando aparentemente não está estudando ou com visitas, está arrumando alguma coisa da casa, seja cortando a grama, consertando a cerca, raspando a tinta da parede e preparando para uma futura pintura, sem contar o que pode estar reformando por dentro pois às vezes ouvimos barulhos de marteladas ou coisas abrindo, fechando ou caindo. Certamente a casa necessita de uma boa reforma.

Ele parece não ter muita sorte com as mulheres. Às vezes, quando alguma garota o visita, é uma única vez e depois nunca mais as vemos. Certa vez, enquanto eu regava meu gramado e o vi pintando a cerca, conversamos sobre isso, de senhor para jovem, de amigo para amigo. Ele disse que as garotas ficam decepcionadas com a casa. Eu respondi que é decepcionante as garotas que o julgam pela estado em que a casa se encontra e que se soubessem o quão responsável e trabalhador ele é, seriam felizes ao lado dele. Isso é verdade!

O que acho bom para ele é que sua irmã o visita constantemente. Nunca a vi chegar ou sair, mas às vezes os vejo conversando em frente à janela ou de relance no pátio atrás de sua casa. Achei estranho ele se surpreender por eu ter visto a garota e lhe perguntado quem era ela. Ele me explicou então que era sua irmã e que o visita constantemente para ajudá-lo nas reformas e nos estudos.


Recentemente ele conseguiu um emprego em uma cafeteria próxima à faculdade. Acredito que em pouco tempo ele já poderá concluir a reforma em sua casa e começar a construir a sua piscina. Só acho errado da parte dele em construir a piscina antes das reformas da casa. Tudo bem que o verão está chegando, mas ele deve rever suas prioridades. Talvez eu o ajude com alguma reforma dentro de casa. Nunca o visitei, mas sempre há uma primeira vez. E posso apresentar a irmã dele para minha filha, que devem parelhar a idade dos vinte anos.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Pipoca do João

Na carrocinha estava escrito "Pipoca do João", mas o verdadeiro nome do pipoqueiro era Carlos. Disso, talvez ninguém soubesse e provavelmente ninguém se importava.

"Quanto é a pipoca?" - perguntou uma senhora soltando a mão da filha pequena que havia pedido que ela comprasse. A indiferença da mulher pelo pipoqueiro ou pela pipoca era tão grande que, mesmo com um cartaz afixado na lateral da carrocinha com os três valores de três, cinco e oito reais pelos respectivos tamanhos dos pacotes, ela ainda assim perguntou, enquanto usava a mão recém liberta da mão da pequena menina para pegar o dinheiro dentro de sua carteira.

"A pequena é três, a média é cinco e a grande é oito reais, senhora" - respondeu Carlos, cordialmente.
"Mãe! Tô com sede!"
"E quanto é o refri?"
O cartaz também estava escrito "3 reais a água e 4 reais o refrigerante"
"Quatro reais, senhora"
"Que sabor tu quer?"
"Doce"
"Uma grande doce e uma Coca"
"Pois não, senhora"

E agilmente, Carlos serve a pipoca doce no pacote grande, pega a garrafinha de Coca dentro do isopor, imersa em água gelada, dividindo espaço com pedras de gelo parcialmente derretidas, outras grarrafas e latas de refrigerante e água. Ele entrega sua mercadoria nas mãos da freguesa.

"Quanto é tudo?"

Um breve pensamento de milésimos de segundo que, enquanto passavam pela cabeça de Carlos por um período longuíssimo, mostrava que ele conseguia conter muito bem sua impaciência e externava somente cordialidade aos seus fregueses, dizia que aquela mulher era uma estúpida, preguiçosa e extremamente relapsa quanto aos cuidados da filha. Ele viu a menina chorando enquanto caminhavam em sua direção. Não até ele, mas para passar pela sua frente. Entre lágrimas saindo dos olhos e ranho saindo do nariz e ameaçando entrar em sua boca, a menina, bem arrumada com um lindo vestido vermelho de bolinhas brancas, puxava a mão de sua mãe, que logo recebia uma resposta com um puxão mais forte, capaz de erguê-la e derrubá-la no chão, além de gritos contidos de sua progenitora como "Fica quieta!" ou "Para de chorar!". O choro só diminuiu quando a menina viu a carrocinha de pipocas e despertou seu apetite por guloseimas. Sabendo que, naquele momento, a única coisa que faria a pobre criança parar de chorar, era comprar seu silêncio com tal iguaria das ruas do centro da cidade, não se importou nem um pouco em lhe dar o lanche, desde que ela ficasse quieta. Sem tentar acalmar a menina para que parasse de chorar e não precisar lhe comprar com agrados alimentícios, sua estupidez foi também dirigida para qualquer um à sua volta que fosse envolvida em sua vida neste breve momento, que nesse caso era Carlos. Sem ao menos olhar para o rosto de Carlos ou, muito menos, para os cartazes com letras e números garrafais descrevendo os valores de seus produtos, a mãe manteve-se de cara fechada, olhando para dentro da carteira e pegando as pequenas notas trocadas para pagar o pipoqueiro pela pipoca de oito reais e a coca de quatro.

"Doze" - respondeu Carlos, no exato instante em que a mulher lhe dirigiu a pergunta sem ao menos erguer os olhos e olhar para seu atendente.

Ela pegou uma nota de dez, uma de dois e entregou a Carlos, enquanto pegou o pacote grande de pipoca doce e a pequena garrafa de Coca.

"Não vai me sujar esse vestido, senão tu vai ver quando a gente chegar em casa! E não vira esse refri! Esse vestido é novo e tu não pode sujar… - a mulher começou a falar enquanto entregava o pacote e a garrafinha aberta para a filha e saiam caminhando, seguindo seu destino, enquanto o pipoqueiro perdia sua voz na distância.

Carlos estava acostumado a esse tipo de tratamento e sabia que não adiantava ser rude. Ele talvez nunca mais veria aquela mulher menina novamente. Não se importava se iria sujar a roupa com o melado da pipoca ou com o refrigerante gelado. Ele só precisava vender.

"Oi moço! Uma pipoca doce grande por favor?"

Carlos olhou para frente e viu um homem sorridente olhando para baixo e aos poucos erguendo o olhar para si. A voz que carlos ouviu era de uma menina pequena. Olhou para baixo, acompanhando o primeiro olhar do homem à sua frente. Uma menininha, de idade semelhante àquela que a pouco passara ali, estava em pé e sorridente à sua frente, com uma nota de dez reais apertada em sua mão fechada.

"Pois não, senhorita!" - respondeu Carlos, sorridente.
Agilmente, Carlos serviu o pacote de pipoca desejado pela sua jovem cliente.
"Aqui está."
Carlos entregou o pacote, enquanto a menina ergueu sua mão com a nota.
"Muito obrigado!" - disse Carlos, pegando o dinheiro.
Ele procurou entre seus trocados, uma nota de dois reais e entregou para a menina.
"Aqui seu troco."
"Muito obrigado, moço! Boa tarde"
"Boa tarde, senhorita! Bom apetite!"
"Boa tarde, e obrigado" - respondeu o homem, que devia ser o pai da criança, que saiu caminhando ao lado dela, seguindo seu destino.

E por um outro breve pensamento que passou na cabeça de Carlos, ele se sentiu feliz por ainda existirem pessoas educadas neste mundo.



Uma homenagem ao pipoqueiro que vejo quase todos os dias na parada do ônibus que pego para voltar para casa.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

inTolerância

Vivemos em um país que foi construído pelo trabalho de escravos negros e imigrantes. Um país moldado à base da cultura dos indígenas que aqui viviam antes da colonização e aos poucos suprimida pela miscigenação cultural dos povos que vieram a trabalho, seja forçado ou na busca de um novo começo.

Os escravos, mão de obra barata adquirida por traficantes vindos da África com seus navios abarrotados de valiosíssima mercadoria, traziam consigo não só a força para o trabalho, mas a cultura antiga e rica, de seus antepassados africanos. Comidas, bebidas, esportes, danças, religião, cargas culturais que ainda hoje aderimos e apreciamos em nosso cotidiano. Depois vieram os imigrantes, italianos, portugueses, alemães, franceses, holandeses, que trouxeram para o Novo Mundo as suas culturas e crenças. Doces e salgados, esportes e danças, religiões e mitologia, uma bagagem cultural de valor histórico e intelectual inestimável.

O brasileiro, em si, é um povo sem uma cultura própria, ou com uma cultura resultante da mistura de todas as outras que aqui se assentaram. Não vemos por aí pessoas na rua conversando em Tupi Guarani ou Ocas/Templos de adoração a Tupã. O que vemos são igrejas católicas, templos evangélicos, sinagogas, mesquitas, terreiros e outros locais de veneração às diversas religiões. Se o brasileiro é um povo de muitas culturas, a menos seguida é a original de nossa terra.

Eu fui batizado e catequizado em uma igreja católica. Nesta época eu não fazia a mínima ideia de que existiam muitas outras religiões. Fiquei impressionado ao descobrir a quantidade - e a cada oportunidade que tenho, descubro uma nova - que existia. Desde então, com o decorrer do meu crescimento e ampliação de meu convívio social, conheci pessoas evangélicas, espíritas, judias, budistas, umbandas, inclusive espíritas que frequentam terreiros, judeus que visitam templos budistas, católicos que visitam igrejas universais, ou até uma maior intervisitação religiosa. Como é possível alguém de uma religião monoteísta frequentar o local de culto de uma religião politeísta? E ao contrário?

Religião não se resume a acreditar em Deus, Buda, Alá, Maomé, Krishna, Zeus, Odin, Tupã, Tiki ou outros. Religião é a forma encontrada para contar histórias antigas de seu povo e uní-las de modo a apontarem para uma única unidade de Deus ou panteão de Deuses, e as bases de todas as religiões são pregar a paz e a prática do bem. Infelizmente alguns líderes colocaram um adendo nessa regra descrita como “nem que seja à força!”, e isso podemos ver nos mais de cinco mil anos de história documentada da humanidade.

Guerras, lutas e massacres em nome de deuses que ordenam seus seguidores a levarem sua palavra aos outros povos, de outras culturas, crenças e divindades. A história da humanidade é escrita com tinta à base de sangue daqueles que não acreditaram e não quiseram seguir as crenças de seus conquistadores. Povos foram levados à extinção por não aceitarem que o deus do vizinho era o verdadeiro e não o seu. Onde está a “paz e a prática do bem”?

Nos dias atuais, vemos um rigoroso cuidado com as diferenças, sejam elas raciais, religiosas, sexuais, políticas ou sociais. Enquanto umas pessoas pensam amo menos dez vezes antes de falar algo que possa ser entendido como discriminatório, outras falam sem pensar e passam metade da vida pagando advogados para defendê-las de processos movidos por aqueles que acharam seus comentários ofensivos. Uma vista grossa feita por aqueles que estão prontos para apontar seus dedos para os outros e afirmar que eles estão sendo preconceituosos com sua cor/religião/sexualidade.

Hoje ainda há discriminação contra negros que, como vemos na televisão, muitos ainda são agredidos, presos injustamente, que não tem a oportunidade de uma promoção no trabalho ou sequer tem um emprego. Há a discriminação contra homossexuais, com homens e mulheres agredidos até a morte das piores formas possíveis e inimagináveis. Há também a discriminação religiosa onde… bem… hã… bom… Existe, de uma maneira ou de outra. Mas é discriminada por quem? Negros são discriminados por brancos. Homossexuais são discriminados por heterosexuais. Esquerdistas são discriminados por direitistas. Mas e os umbandas? São discriminados por católicos? Que são discriminados por evangélicos? Que são discriminados por islâmicos? É o religioso discriminando o religioso? É isso mesmo que vemos? Assim como o político corrupto falando mal de outro político corrupto, ou o sujo falando do mal lavado.

Num país cuja diversidade é o seu molde da estrutura social e política ao qual ele se baseou, é no mínimo imbecil a prática de atos ou até o pensamento preconceituoso contra aqueles que são diferentes ou tem opinião e crenças diferentes entre si. O fato de alguém afirmar e empurrar goela abaixo dos outros a sua crença, não o torna o “Senhor Dono da Verdade”, mas sim um ser patético de intelecto curto que tem preguiça de conversar e trocar conhecimentos com outras pessoas tão ou mais inteligentes quanto ele. Respeitar não é discriminar em pensamento e calar-se. O respeito é o sentimento que temos em admirar as qualidades do próximo, apontar-lhe em crítica construtiva seus erros, aceitar as críticas construtivas do outro e lhe desejar o bem acima de tudo.

Mas como vivemos em um país onde nossos líderes não respeitam o povo e as diversidades (velada sob discursos homofóbicos, machistas, anticulturais e educacionais), só o que nos resta é permanecermos calados, para não sermos processados pelo que escolhermos falar e corrermos o risco de sermos mal entendidos. É muito fácil falar mal da religião dos outros e depois dizer que está sendo discriminados por intolerantes à sua crença religiosa. Que tal manter-se calado aos seus discursos preconceituosos? Eu por exemplo, prefiro me retirar ao silêncio quanto minhas opiniões sobre as diversidades, que por melhores que sejam, sempre haverá alguém que entenderá errado minhas ideias e se aproveitará da oportunidade de retirar até meu último centavo e acabar com minha credibilidade e imagem (mesmo todas elas sendo muito baixas no momento em que escrevo isso). Prefiro voltar-me ao meu Tiki, pois sei que quando morrer ao menos não estarei junto de Hitler, Stalin, Pinochet ou Bush, pois eles escolheram o Deus errado (pior ainda para Stalin que não acreditava em deus nenhum).